segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Pausa para relembrar o Poeta - David Mourão-Ferreira

Noite Apressada

Era uma noite apressada
depois de um dia tão lento.
Era uma rosa encarnada
aberta nesse momento.
Era uma boca fechada
sob a mordaça de um lenço.
Era afinal quase nada,
e tudo parecia imenso!

Imensa, a casa perdida
no meio do vendaval;
imensa, a linha da vida
no seu desenho mortal;
imensa, na despedida,
a certeza do final.

Era uma haste inclinada
sob o capricho do vento.
Era a minh'alma, dobrada,
dentro do teu pensamento.
Era uma igreja assaltada,
mas que cheirava a incenso.
Era afinal quase nada,
e tudo parecia imenso!

Imensa, a luz proibida
no centro da catedral;
imensa, a voz diluída
além do bem e do mal;
imensa, por toda a vida,
uma descrença total!

David Mourão-Ferreira, in "À Guitarra e à Viola"


<3

Biografia:
 
David Mourão Ferreira nasceu em Lisboa, em 1927. Autor multifacetado - poeta, crítico, ensaísta, contista, novelista, romancista, cronista, dramaturgo, tradutor, conferencista, polemista -, nasce para a literatura em 1945, ano em que publica os seus primeiros poemas na revista Seara Nova. Porém, o seu primeiro livro A Secreta Viagem, surgiu apenas em 1950, no mesmo ano em que, de parceria com António Manuel Couto Viana e Luiz de Macedo, lança as folhas de poesia Távola Redonda, que cessariam a sua publicação em 1954. Em 1956, o seu nome aparece no elenco redactorial da revista Graal, onde aliás colabora com notas e recensões, uma novela (E aos Costumes Disse Nada), uma peça de teatro (Contrabando) e um longo ensaio sobre a poesia de Vinícius de Morais. David Mourão Ferreira é uma referência fulcral da história da literatura e da cultura do século XX. Secretário de Estado da Cultura do último governo provisório e dos 1º e 4º governos constitucionais do pós-25 de Abril, a ele se deve, entre outras iniciativas, a criação do Museu Nacional de Literatura, no Porto. O seu primeiro romance Um Amor Feliz (1986), foi galardoado com os prémios: Grande Prémio de Ficção da Associação Portuguesa de Escritores; Prémio Cidade de Lisboa; Prémio Pen Clube e Prémio D. Dinis, da Casa de Mateus. Foi também um divulgador de poesia, tendo publicado vários artigos em jornais e tendo participado nas Tardes Poéticas do Teatro Nacional e, sobretudo, deixou uma óptima imagem de comunicador, em programas de televisão como Vinte Poetas Contemporâneos ou Imagens da Poesia Contemporânea.Faleceu em 1996, em Lisboa, sem deixar de escrever em Os Ramos e os Remos que “Antes de sermos fomos uma sombra / Depois de termos sido que nos resta / É de longe que a vida nos aponta / É de perto que a morte nos aperta.”
 


sábado, 4 de janeiro de 2014

Pausa para a crónica - Eu nasci romântica !

Vou tentar escrever sobre um tema chato, um bocadinho chato. Um tema que as pessoas, não explicam, que apenas se sente. Bom, talvez se sinta, mas para mim não há nada que não se meta em palavras.

Estou a falar do amor, não aquele amor fraternal que todos sentimos pelos nos amigos e pela nossa família, isso é uma coisa diferente. Quero falar de amor entre casais. Esse mesmo, esse amor que tem para todos os gostos, aquele que acaba, aquele que fere, aquele que nos faz bem e mal, aquele que é fiel e trai ou aquele que faz sofrer e nos dá a maior felicidade do mundo.
Varias vezes na minha vida, fui acusada de ser fria e de ter uma pedra no lugar do coração, é mentira, eu nasci romântica! Todos nascemos românticos, crescemos com as histórias e finais felizes dos filmes e dos livros. Em que quase sempre o casal bonito da história passa por diversas dificuldades até que no fim são felizes para sempre.
Mas a vida muda-nos, não posso dizer que ao crescermos, todos mudamos, porque conheço uma infinidade de pessoas que continua a acreditar no amor e nos finais felizes para sempre. Conheço outras que perderam o romantismo e substituíram-mo mal, por sentimentos vazios que não levam a lado nenhum. E depois ainda sei de outros casos, como o meu, que tentam ver as coisas, como são na realidade.

E que realidade é essa, perguntam vocês? Bom, na minha visão a realidade é simples, mas não é fácil de perceber.

O primeiro ponto de dificuldade nas relações dos nossos dias é a futilidade. Eu dou importância ao aspecto físico, não vou estar aqui a ser hipócrita, mas não é sequer 20% do pacote. A minha geração e as posteriores que me desculpem, mas nós nesse aspecto somos reles todos os dias. Dá-se demasiada importância ao corpo, á roupa, aos sítios que frequentam, á conta bancaria, ao carro que conduzem, etc.. e as pessoas esquecem-se que isto são tudo factores que a longo prazo não mantém relações e também não trazem necessariamente felicidade.
Para existir uma relação verdadeira, há qualquer coisa de mais cósmico e isso sim inexplicável, que nos bate. Para os verdadeiros apaixonados não há beleza que importe, nem bem material. Sentir-se bem no próprio corpo é óptimo, vestir o que se gosta também e ter dinheiro é estupendo, nesta altura e neste país, mas não, meus amigos, não é de todo suficiente. O amor envolve uma sintonia de coração.

O segundo ponto, e repito a meu ver, que dá cabo disto tudo, é fugacidade. Eu não tenho nada contra as relações casuais, acho que cada um é absolutamente livre de fazer o que quer e bem entende, com o corpo que é seu. Mas ao ritmo que que o andamos a fazer, não sobra tempo para sentimentos. Eu hoje em dia posso falar sobre isto, porque estou completamente fora deste esquema. Mas sei, porque também já tive 18 anos, que para muita boa gente, sair ao sábado é sinonimo de ir ao super mercado. Para não lhe chamar nomes piores. É como ir às compras, escolhe-se o produto, o produto também nos escolhe, leva-se para casa usa-se e deita-se fora. Na próxima vez escolhemos um produto diferente para não enjoar! E pronto é isto, são meras trocas sexuais, não há sentimento, não há partilha de nada. Isto não tem nada de mal, acontece todos os dias a se calhar 50% ou mais da nossa população em idade considerada jovem, mas a questão é que isto a torna-se cada vez mais a nossa realidade, não há espaço para o amor e as próprias pessoas habituadas a esta facilidade também não vêem necessidade nenhuma em o cultivar.

Terceiro ponto, as pessoas acomodam-se demasiado rápido. Eu ainda conheço casais felizes, mas conheço muitos mais que não o são e nunca vão ser. Simplesmente porque não são adequados um ao outro… respeitam-se e existe amizade entre os dois, mas não vivem felizes enquanto casal e o pior é que o sabem. Mas fazer a mudança necessária é doloroso, envolve muitas vezes um risco quem nem todos querem correr. Ou porque existe uma renda ou um empréstimo, que até se paga melhor a dois, ou porque há necessidade de manter a fachada para que a sociedade os veja como exemplo ou porque simplesmente não conseguem nem querem ficar sozinhos. E isto é triste!

Quarto ponto, também conheço casais, que em tudo são iguais aos de cima, mas não se respeitam, aí entra a traição. Atenção, quero fazer aqui um aparte para dizer que não sou nenhuma moralista, e ainda não cheguei à conclusão se nascemos ou não, apenas para ter um parceiro. Cada vez mais acho que não. Essa coisa da fidelidade é muito bonita, mas eu conheço tão pouca gente que o é! A traição para mim, não faz sentido nenhum, ou as pessoas entram no esquema liberal e aí as coisas são justas para quem se mete nelas, ou não se pode enganar assim alguém que supostamente se gosta. A necessidade de trair, para mim vem de uma carência que a relação apresenta, ou se fala nela e se resolve ou então se calhar vale a pena ponderar até que ponto é que estar nessa relação é viável. Digo eu!

Apresentei sucintamente os quatro pontos que para mim, lixam à grande o amor: futilidade, fugacidade, comodidade e falta de respeito.

Continuamos no entanto, sem perceber o que é isso do amor, tenho 25 anos e uma curta bagagem para falar de uma coisa tão grandiosa. Mas eu também sinto, e mais do que sentir observo muito os outros. Muitas das coisas que eu escrevo não as vivi, observei-as. E é da observação do amor que eu posso escrever sobre ele, ao analisar casais verdadeiros e não esses engraçadinhos que mudam o status do facebook e acham que já está, oferecem flores e dizem amo-te muitas vezes, e fantástico, é amor.

Assim sendo o amor é dar, dar de nós, dar o corpo, a alma e o coração. É muitas vezes aceitar o outro como uma parte nossa, deixar entrar na nossa vida e muitas vezes ceder. É receber, deixar que outro nos embale.Amor é estar a 100%, é ajudar. Amor é ouvir, conversar como o olhar.Amor é o dia-a-dia, é curar feridas, apanhar o outro do chão. É estar na doença, é amar defeitos sem os querer alterar.Amor é companheirismo na cama e no silêncio. É abdicar do nosso individualismo. Amor também é saber perder.Amor é gostar tanto de alguém como gostamos de nós e cuidar dessa pessoa como se fosse nosso, um bem precioso e raro.Amor é perdoar, é lutar para melhorar e levar o barco sempre mais longe.Amor é não se cansar, é respeitar e saber quando é hora de terminar. Porque para mim, nada é para sempre e o amor também acaba, mas até o amor pode acabar com amor.

Ele existe, eu sei que sim, e a grande maioria das pessoas, vai senti-lo um dia. Não acredito em príncipes, nem princesas, mas sei que há amores assim. Assim … simples, sem mais. Sem convenções, sem fazer ver aos outros, sem jogos ridículos, sem traições.
Se há quem o tenha, é possível! Não me venham é como os corações e as borboletas e o mostrar aos outros que somos felizes porque, é capaz de me sair um palavrão. O nosso amor é precioso e só se pode entregar a quem realmente o merece.

Se meio mudo não andasse a tentar enganar o outro meio, se amassemos mais e fossemos mais bem-amados, esta merda melhorava, e muito!


Sejam felizes, amem com o coração e não se deixem enganar (muito)! <3



Pausa para a Poesia - Afastamento

Sempre que me afasto
É um pouco de mim que queima, que morre, arde e chora
Como quem bate na porta de quem já não lá mora
Sempre que me afasto
É um pouco de nós que implora
Pela nossa estrada, sigo só
Tinhas medo deste caminho
E eu larguei-te a mão
Mas não te deixei sozinho
Sempre que te afasto
É um sonho meu que sucumbe
Desaparece na neblina de Janeiro
Como quem vê o vislumbre
Do nosso beijo mais inteiro
Sempre que me afasto
Eu sinto que deixamos o sonho
Uma bala sem rastro.
Sempre que me afasto engano o mundo e a ti também
Se amar não chega
Não vamos mais além
Fiquemos aqui no abraço
Enquanto não se sabe quem é quem
Não te afasto, não me afasto
E acabamos com a dor
Porque hoje, é tarde demais

Para guardar este amor.




sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

2014


As pessoas aproveitam sempre o final do ano para fazer obras. Obras internas, para entrar no novo ano com alma lavada e iniciar sabe-se lá porquê uma nova vida. Infelizmente a noite de 31 de Dezembro, não é assim tão mágica para ter a capacidade e mudar vidas, dores ou vícios.

Mas nós somos. Somos mágicos e temos muito mais pozinhos de pirlimpimpim, do que imaginamos!

Em 2013, aprendi que há pessoas más e existem outras que se acham más. Felizmente são mais aquelas que se acham. Sofri na pele as consequências das minhas escolhas, e percebi que o nosso amor é precioso demais para ser entregue a qualquer pessoa.

Entendi que há pessoas que têm a faca e o queijo na mão, mesmo! E ir contra essas pessoas não é a melhor das ideias, por muito que custe, temos que ser mais inteligentes e dar a volta à questão.

Percebi que por mais que tente, não posso mudar ninguém. Já era tempo de entender isto. As pessoas não aprendem com palavras, nem com exemplos, cada vez mais as pessoas têm de bater com a cabeça, para aprender alguma coisa.

Aprendi que quase ninguém troca o estável pelo sonho, são poucos o que o fazem porque isso apresenta um risco, que nem toda a gente tem coragem de correr. E isto acontece com pessoas que não nos completam, com trabalhos que não nos realizam e com tantos sonhos que deixamos de acreditar, às vezes por simples cobardia.

Aprendi a desistir, desistir de pessoas também. Quase que arrumei os amores impossíveis…

Entendi que as facilidades que algumas pessoas têm na vida, quase sempre as leva a acharem que são mais espertos que os outros. Continuo a odiar isso, mas desisti de andar em guerra com meio mundo. A vida segue, e ignora completamente as minhas quimeras. Dois amigos ensinaram-me que tudo se paga nesta vida e as pessoas só têm a importância que nós lhes damos.

Aprendi que aquilo que os outros pensam de mim, não tem importância nenhuma. São visões, e fogem sempre tanto á realidade. Percebo finalmente que o mais importante é a nossa paz interior, e a vida com tranquilidade com aqueles que amamos. É isto não é?

Por último, estou a aprender, que a vida é tão mais gira, quando nada é garantido. Cada vida tem o seu ritmo. Só assim cada um de nós tem uma história diferente para contar. Eu amo a história que estou a escrever. Fala de conquistas, de descobertas, de individualidade. E a vossa espero que fale de aquilo que vos faz felizes, porque é isso que temos que lutar para ser, apenas felizes.

Não me lembro de alguma vez ter conseguido alguma coisa de mão beijada. Sou uma lutadora, habituei-me à luta, como soldado em guerra. Não saberia viver de outra maneira e a única coisa que eu não posso perder em 2014, é esta vontade, que às vezes nem eu sei de onde nasce. Tenho 25 anos, na verdade ainda não sei nada. Mas começo a perceber, que às vezes, as oportunidades estão ao meu lado e as pessoas especiais também.
Feliz 2014 !!

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

É isto..

Sabem qual é a parte chata da minha vida ? É aquela em que não sonho !!
 
Onde é que eu quero ir em 2014?
 
 
 
<3 Happy new year !

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Pausa para a crónica - Na ressaca das sensações - Uma alma em saldo


A cabeça, o coração e a alma, são coisas diferentes e querem geralmente coisas distintas, o que muitas vezes faz de nós seres muito perdidos. O pensamento quer a pressa, quando o coração pede calma e alma perdoa o imperdoável.

A nossa cabeça é juíza e senhora de muita coisa, é ela que toma a decisões, que quase sempre o coração não cumpre, é bandido este senhor. E lá está a alma que perdoa o imperdoável.

Há cabeças no ar, assim como há corações que gostam de apanhar. Há cabeças convencidas que sabem tudo e corações moles. Há cabeças imorais e corações doentes. A serio que há! E alma às vezes não perdoa.

No meio disto tudo deve haver um ponto de encontro. Às vezes a cabeça acalma e coração bate mais depressa e a minha alma descansa durante os segundos em que ele me abraça.

É assim o poder de um abraço, faz-nos encontrar e faz com que coisas mal resolvidas se possam enfim esclarecer. Pelo menos enquanto esse momento durar..

E depois? Depois a cabeça é inútil quando o coração acha que precisa e a alma, bem essa, vendi. E vendi barato.

 

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Feliz Natal :)

É bom não é ? ..  Natal.
 Perdi a bússula, mas ainda assim.. é Natal.

 
Merry Christmas <3