quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Pausa para a música - AGIR


Já ouviram falar do Bernardo?

 

Bernardo Correia Ribeiro de Carvalho Costa, mas conhecido pelo nome artístico, AGIR, é um cantor e compositor, pouco divulgado no panorama musical português.

Nascido a 18 de Março de 1988, é filho do cantor Paulo de Carvalho e da actriz Helena Isabel.

Começou a fazer a música, aos 12 anos no 2º Esquerdo, local onde mora.

Até ao lançamento do primeiro álbum, as suas músicas eram disponibilizadas gratuitamente no YouTube. Por isso é possível encontrar centenas de vídeos, por essa via.

Produziu já mais de 250 músicas desde o hip-hop ao reggae, do soul ao pop e trabalhou para variadíssimos artistas como Mariza, Paulo de Carvalho, Dengaz, Rita Guerra, Blaya (Buraka). Bem como terá produzido inúmeros temas para novelas e publicidade.

Em 2007 participou no Festival da Canção com o tema “ Dá-me Lua”, ficando classificado na quarta posição.

O seu primeiro álbum intitulado “Agir” foi lançado em 2010 e esgotou em algumas lojas em apenas dois dias.

Em 2013, lançou o álbum “Alma Gémea”, que para mim é uma obra-prima! Pelo que percebo é uma mudança na estratégia musical do cantor.
Acho que se deve dar mais atenção a este rapaz. O talento é indiscutível.
 
 
Adoro esta - Obra de Arte
 

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Pausa para a Crónica - A vida são dois dias e o Carnaval são três...


Parece que vêm aí os dias das máscaras, até aparece que não passamos o resto do ano com elas. Mas está bem!
Não posso mentir, nunca achei piada nenhuma, ao nosso Carnaval.

Obviamente que o Carnaval no Brasil suscita a minha curiosidade, assim como o de Veneza tem qualquer coisa de misterioso e atraente.

Para alguns historiadores, o Carnaval é uma herança de várias civilizações antigas, como a grega e a romana, que dançavam nas ruas, em honra a Saturno, Deus da Agricultura.

Para outros, a palavra Carnaval, tem origem no latim “carnevale”, que quer dizer, “ficar livre de carne” pois na Idade Média, estas festas foram incorporadas, na igreja católica, como forma de aproveitar os últimos dias, antes das restrições da Quaresma (o consumo de carne é proibido durante os quarenta dias que antecedem a Páscoa).

Nos dias de hoje, o Carnaval é uma das festas mais populares do mundo, e cada país tem as suas especificidades.

O Carnaval com mais impacto é sem dúvida o brasileiro, que teve origem, tal como o conhecemos, no século XIX. No que se fala mais é no do Rio de Janeiro, com as famosas escolas de samba a concurso, mas existem outras formas de Carnaval, como o da Baía, de tradição africana com sonoridades e ambientes diferentes do Rio.

O Carnaval de Veneza envolve imaginação, "faz de conta", máscaras, suavidade, charme e mistério.

Já em Portugal, a tradição não tem tanto a ver com música ou desfile. Mas sim com a brincadeira do entrudo. Durante três dias as pessoas atiravam aos outros, farinha, baldes com água, entre outras coisas.

Felizmente na minha opinião, a tradição já não é o que era.
Os Carnavais mais conhecidos de Portugal são os de Loulé, Ovar, Torres Vedras, Madeira, Alcobaça e Mealhada, alguns combinados com tradições importadas do Brasil ou de Itália.

História e tradição à parte aproveitem bem a festa, da maneira que mais gostarem.

Afinal a vida são dois dias..

E o Carnaval são três!

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Pausa para a Fotografia - S.João do Estoril


Praia da Azarujinha - Verão 2013 



Pausa para a Fotografia - Metade de mim é utopia

Há uma metade em mim, que é estranha, desatinada. Metade de mim gosta do silêncio, do pedaço negro do mar, do trovão barulhento, metade de mim adora dizer adeus, metade de mim só gosta de ruas perdidas.

Metade de mim é pessoa a outra metade não é, metade de mim gosta da catástrofe interior, das feridas que doem por dentro, metade de mim adora a solidão.

Metade de mim pede um grito, uma oportunidade sombria, um raio de luz fraco. Metade de mim andou na guerra..

Metade de mim não desiste, metade de mim acredita no que sou, metade de mim nunca acorda das histórias encantadas, mal contadas. Metade do que sou é vento.

Metade de mim é vestido rasgado, é passado. Metade do que sou é iluminado através de velas, metade de mim é bússola perdida. Metade de mim..não se vê.

Metade de mim é só utopia… 




Pausa para a culinária - Quiche de Atum com sabor a liberdade

Olá liberdade! Olá mundo...

Sei que fazer uma quiche, não é propriamente a coisa mais difícil do mundo,mas como eu fiz sem ver receita nenhuma, é uma receita livre e tem o seu mérito. :)

E não é que está boa ?!


Pausa para o lugar - Miradouros de Lisboa – Jardim do Torel

Finalmente o sol deu a cara, hoje teve bom para passear. Resolvi ir tomar café ao Miradouro do Torel.



Fiquei a perceber, porque é que duas pessoas diferentes, já me tinham dito: “Tu vives à três anos, ao pé dum sítio tão bonito e não conheces?”, elas tinham razão.






Sabem, é isto que eu chamo qualidade de vida, e melhor que isso custou-me 1 euro para o café e 10 minutos a pé.


O Miradouro do Torel, é um sítio pacífico, bom para pensar, escrever e conversar. Às vezes não é fácil encontrar silêncio na cidade, lá ouve-se o vento, interrompido pelo passar momentâneo, dos aviões, e eu perco-me a imaginar a sua rota, o seu destino. Também eu queria ter a minha rota na mão.

Vêem-se pássaros as voar, gosto de ver os pássaros, coisas com Asas, asas foram feitas para voar.

Vê-se nuvens a passar, dizem-me um olá envergonhado, com quem está de passagem.

E agora? Vai um bocadinho de história? Tem de ser, isto não é só ir lá e achar bonito, tenho que perceber, o que foi aquele lugar antes de ser o que é hoje.



O Miradouro do Torel encontra-se na freguesia de São José, virado para a Avenida da Liberdade. Situa-se, numa das sete colinas de Lisboa, junto ao elevador da Lavra.

Está rodeado de um palacete do século XIX. O nome do miradouro tem origem numa família provavelmente holandesa, que habitou o local. 

Sabe-se que no reinado de D. João V havia em Lisboa um Marco António Thorel , casado com D. Joana Francisca da Cunha Manuel. Viviam na travessa do Convento de N. S. do Monte do Carmo e tiveram vários filhos, entre eles João Caetano Thorel da Cunha Manuel e D. Nicolau Thorel, que foi bispo de Lamego. O palacete foi vendido ao Estado, em 1927.

O local conta com um parque infantil, café/restaurante e panorâmicas fantásticas.





Vale a pena passar por lá!

Horário:

Outubro a Março: 07:00-20:00

Abril a Setembro: 07:00-22:00

Uma semana inspirada, para todos e para mim também! Bem preciso! 



sábado, 22 de fevereiro de 2014

Pausa para a crónica - Alta velocidade – viver a vida ao máximo ou pôr a vida em risco?

Hoje vou falar de um assunto muito complicado, para mim.

Não sei explicar de onde nasceu o trauma, acho que terá a ver com a morte de uma amiga, num acidente de viação, entre outras coisas.

Facto é, que se me perguntarem, preferes andar de avião ou de carro, eu prefiro 1000 vezes o avião.

Não consigo andar com ninguém a grandes velocidades, e já cheguei mesmo a pedir para sair do carro.

E vou continuar a fazer isso, sempre que não me respeitarem.

Quando falo em grandes velocidades não estou propriamente a falar de grandes velocidades, tudo o que seja acima dos 90 km, já me incomoda.

Escusado será dizer, que eu quando conduzia, era um caracol e gostava de ser. O facto de hoje não conduzir, acho que está relacionado com isto tudo, também.

Portanto é difícil dar uma opinião isenta, a um tema como este. Mas que se lixe, não vou nada ser isenta. Vou mesmo dizer que a velocidade é uma merda.

Não percebo a piada, compreendo que tal como eu gosto de escrever, existam pessoas atraídas pela velocidade, tenho que entender isso.

Mas não tem nada ver, escrever não me mata!

Não me entra na cabeça, como é que há pessoas que para além de colocar a vida em risco, ainda o fazem com pessoas dentro do carro, ainda o fazem, com crianças dentro do carro.

Ok, eu percebo perfeitamente que os acidentes acontecem a qualquer velocidade, mas a alta velocidade não será sempre algo mais aparatoso?

Para mim, não se trata realmente de viver a vida ao máximo, viver a vida ao máximo na minha opinião é mesmo andar cá!

Não entendo, essa fixação que principalmente os homens têm em carros de alta cilindrada e afins. Atenção que eu não percebo ponta de carros, mesmo!

Mas há necessidade? E depois ainda alteram os carros, supostamente porque eles andam pouco?

É inconcebível para mim. Que me desculpem os meus amigos, fãs desta coisa dos carros.

Vou dar um exemplo, eu não gosto de velocidade, mas vi e gosto dos filmes “Velocidade Furiosa”, Paul Walker, actor, de quem eu gostava muito, falecido a 30 de Novembro de 2013 num acidente de viação, disse uma frase do género, se eu morrer por causa da velocidade, considerem que morro feliz, qualquer coisa assim. Isto para mim é uma estupidez, mas qual morro feliz? Feliz era ele cá andar, a fazer mais filmes que a malta gosta, a criar a filha e a viver, isso sim, é que era porreiro.

Enfim, não concordo mesmo com essas coisas. Um amigo disse-me que os carros são para nos servir, não são para eles se servirem de nós.

Para mim é mesmo isso, sei que não podemos voltar todos para o burro e para a carroça. Mas tem que haver limites.

Esse pessoal que se mete aí a conduzir que nem um maluco, só para se fazer de bom, mete-me raiva. E muitos nem unhas têm para fazer o que fazem! Sim porque existem pessoas que podem e outras que não. Capacidade de condução é como qualquer outra capacidade humana, há os que têm mais e outros menos.

A malta tem que ter mais consciência, da maneira com conduz, da velocidade, do que faz na estrada e mete em perigo outras pessoas, do álcool, infelizmente há cada vez mais pessoas a não terem a mínima consciência de que beber e conduzir, não é nada bom, e não é pela puta da multa, é mesmo porque te podes matar e mais grave que isso, matar quem não tem culpa da tua estupidez.

É isso amores, fica a opinião.  



Outra coisa que me irrita: Os putos saem da escola de condução a pensar que têm asas. Seria bom, que os instrutores e as pessoas próximas lhes fizessem ver que a carta apenas dá a autorização para conduzir. A experiência de estrada, os anos e a responsabilidade é que fazem os condutores.

O meu examinador disse-me no dia quem tive a minha autorização: "Você é boa, mas os acidentes acontecem aos melhores", e eu nunca mais me esqueci disso. 

Pausa para a Poesia - Quem?

De que serve ter a solução

Se não sabes para onde ir?

De que serve esse coração

De só te sabes é ferir

Quem me ensina a achar?

E me leva daqui

Quem me pode encontrar

Dar-me o que eu não pedi

E quem me ajuda a levantar


sem eu nada ter para dar?

Tu disseste que ficavas

Nas ruas sós, me esperavas

Tu disseste que me odiavas

E mesmo assim me amavas

Tu esqueceste as promessas?

Quem te segura agora?

A nossa vida às avessas

Nunca foste a nossa hora

Quem me abraça em Janeiro

Quem me leva daqui?

Tu nunca foste o inteiro

Quem fica, onde eu saí

E morre, em tom ligeiro.





Pausa para a música - Pedro Abrunhosa

Hoje vou falar de um senhor, chamado Pedro Machado Abrunhosa, nascido no Porto a 20 de Dezembro de 1960.

Na minha opinião, não só um cantor, mas um dos melhores compositores e poetas da actualidade.

Pedro iniciou os seus estudos musicais em 1976, na escola de música do Porto, começando, dois anos depois, o estudo de um novo instrumento: o contrabaixo. De seguida, ingressa no Conservatório de Música do Porto. Em 1981, obtém o diploma em Pedagogia Musical.

Em 1984, aprofunda os estudos de contrabaixo, em Espanha. Nos anos seguintes, lecciona na Escola de Jazz do Hot Club de Lisboa e na escola de Jazz do Porto.

Funda e dirige a Cool Jazz Orchestra, uma banda vocacionada para o Blues, que após três anos viria a dar origem ao grupo Pedro Abrunhosa e a Máquina do Som.

Com os Bandemónio, grava para a multinacional Polygram, o seu primeiro disco, Viagens. O disco Viagens vende mais de 130 mil cópias, chegando à tripla platina. Abrunhosa faz mais de 120 concertos em Portugal e também nos EUA, Brasil, Macau, França e Espanha.

Em 1994, a revista norte-americana Billboard, dá-lhe destaque, o que lhe abre em definitivo as portas da carreira internacional.

Em 1995, lança o maxi-single F.

Em 1996, prepara o seu segundo trabalho, Tempo, com participações especiais de Rui Veloso, Carlos do Carmo e os estrangeiros New Power Generation Horns. O disco atinge a dupla platina na primeira semana.

Se eu fosse um dia o teu olhar, vende mais de 800 mil cópias. Em 1998 é convidado por Caetano Veloso, a realizar um espectáculo conjunto na Expo 98, que viria a bater os recordes de bilheteira.

Compõe entretanto, várias bandas sonoras de êxito como a do filme A Carta de Manuel de Oliveira.

O seu terceiro disco, Silêncio, editado em Novembro de 1999, conta com participações de Caetano Veloso e Nina Miranda que habitualmente trabalha com Radiohead.

Em 2002, o álbum Momento, atinge a dupla platina. Em 2007, lança o álbum, Luz, com o fantástico single “ Quem me leva os meus fantasmas”.

Em 2010, Pedro Abrunhosa, estreia uma nova banda, Comité Caviar, com o álbum Longe.

Mas recentemente, em 2013, lança o álbum, Contramão, com participações do fadista Camané e o cantor de flamengo Duquende.

Muita discussão surge em torno de Abrunhosa, existem muitas pessoas que não apreciam a forma de cantar e a sua música. Na minha opinião, o que ele é enquanto cantor, é discutível. 

O que ele é enquanto músico, compositor, intérprete e poeta, é inquestionável, porque ele é muito bom. Para mim, o melhor a escrever em Portugal, nos nossos dias.

Vou deixar aqui, uma música, que gosto particularmente.

Boa noite de sábado gente!






Pausa para a crónica - Longe de casa

Nascemos e crescemos num meio pequeno, rodeado de pessoas queridas e em quais confiamos cegamente.

Entretanto e demasiado depressa nos tornamos adultos, e a nossa terra, o nosso canto no mundo, não nos dá oportunidades. Como se vivêssemos num país sem nome, sem dó, sem vida.

A necessidade de sobreviver ou simplesmente viver num nível médio, obriga-nos a partir. Deixar, tudo o que sempre conhecemos como nosso, deixar os nossos, aquelas pessoas mágicas e insubstituíveis.

Obriga-nos a aprender a gostar de um novo lugar, a criar novas rotinas, a conhecer outras pessoas, obriga-nos a enganar a saudade.

Quando vim estudar para Lisboa, o objectivo nunca foi ficar por cá, o objectivo continua a não ser. Lisboa, não foi uma paixão á primeira vista, foi um amor cultivado, obrigado, aprendido.

Sete anos depois, com um trabalho estável, novas amizades feitas, muitos momentos fantásticos, ao final do dia, ainda abro a porta de casa e sinto falta da minha mãe na cozinha a fazer o jantar, do meu pai a acender a lareira ou da gargalhada única que o meu irmão tem. Ainda sinto falta de beber café no mesmo sítio, todos os dias, e ver as mesmas caras familiares todos os dias.

Sete anos depois quando mensalmente, apanho o comboio em Santa Apolónia, para voltar às raízes, ainda me sinto regressada da guerra. Como se estivesse emigrada cá dentro.

Quando se chega de novo à nossa terra, o cheiro é familiar, os passos na estrada sempre iguais, a casa é de novo nossa, e nem precisamos da luz acesa, para chegar onde queremos. Os olhos das pessoas são os mesmos confiáveis e seus sorrisos levantam-nos a coragem, que inevitavelmente nos levará a partir, de novo.

Gosto muito de viajar, não há nada melhor. Mas eu gosto tanto de ir, porque sei que vou regressar. Sempre disse que um dia emigrava, hoje essa porta está fechada, e ainda bem. Admiro os meus amigos que o fizerem e cheios de coragem, por lá se mantêm. Não imagino a saudade deles, ninguém pode imaginar.

Estou a uma hora e quarenta minutos de casa, e provavelmente, não faço a mínima ideia do que é sentir o peso da distância. Mas sinto.

A esses corajosos jovens que daqui saíram, em busca do que o seu país não lhe soube dar, que fizeram malas em lagrimas, que apanharam aviões sem regresso previsto, que aprenderam uma nova língua e uma nova maneira de viver. A esses que combatem todos os dias a saudade e anseiam o dia de voltar, que passam dias e noites a pôr em causa a distância e o que os faz ficar, os meus mais sinceros louvores.

Não duvido que todos os nossos emigrantes cheguem a uma altura, uma hora, um momento ou um dia, que trocariam toda a qualidade de vida e a conta bancária, pelo colo da mãe, pelo cheiro dos cedros na entrada da casa, pelos sorrisos dos amigos, pela vida simples do que é nosso.

Talvez a minha altura tenha chegado…hoje eu não quero perder nem mais um segundo do envelhecer sempre tão rápido dos meus pais, nem mais segundo da vida nova e colorida do meu puto, nem mais um segundo das peripécias dos meus amigos, não quero perder nem mais um minuto do acordar no meio do campo e receber os três bons-dias mais importantes da minha vida.

Termino por aqui ,termino aqui este texto, com uma música que diz tanto, sobre o que nós sentimos.