segunda-feira, 4 de maio de 2015

O confronto entre o que desejamos e o que a vida nos oferece


Entro no mesmo café todos os dias pelas sete da manhã, às sete da manhã ninguém diria que o humor está em grande forma, mas naquele café por norma isso acontece. Aprendi a ser bem-humorada com este género de pessoas, pessoas comuns que muito provavelmente teriam tantos motivos para fechar a cara e não sorrir, mas por norma isso não acontece. Gosto que me contagiem com essa alegria de ser. Num tempo difícil onde as portas se fecham, onde a existência é dura na maior parte dos dias, pessoas capazes de aceitar a vida e mesmo assim serem felizes, são um exemplo dos caraças.

Já se percebeu que dificilmente virão melhores dias, isso não é uma questão de ter esperança ou não, é uma questão de vivermos o melhor possível, sem andar sempre de cabeça baixa a reclamar de tudo. Há problemas sobre os quais me custa escrever e esses são os mais verdadeiros. Mau é uma doença, mau é fome, mau é desemprego, rua, frio, morte. Viver com pouco não é mau. Viver com pouco e ser feliz apesar disso, é supremo.

Posso escrever sobre isto porque vivi muitos anos extremamente revoltada com tudo. Eu não percebia porque é que se eu trabalhava todos os dias para ter as coisas, para fazer as coisas, elas não aconteciam. Hoje percebo que não está tudo nas minhas mãos, que não há muito caminho por onde ir. A continuar assim eu nunca vou poder realizar todas as coisas que qualquer ser ambiciona. Não neste país, não neste tempo.

Não considerem isto que vos escrevo uma fraqueza, porque é claro que eu mais que ninguém defendo a luta por aquilo que queremos, mas não nos podemos martirizar por não chegar tão longe com um dia nos imaginamos. Há certos dias em que chego ao meu sótão no último andar desta selva, depois de um dia de trabalho e penso “Inês é humanamente impossível fazeres mais”. Se me convenço disto, vivo melhor porque vivo sem pressão, sem tanta expectativa e sem tanta dor também.

Lutem, claro que sim! Lutem todos dias por um amanhã melhor. Temos de tentar as vezes que forem precisas, temos de nos cumprir, mas vivam também. Aceitem o que a vida oferece, celebrem a amizade, amem, sintam e acima de tudo dêem valor a todas as pequenas conquistas. Sofram e aprendam com isso, levantem-se e vivam mais intensamente ainda.

Eu não quero deixar passar a vida, nem quero que ela seja apenas um confronto sangrento entre o que eu desejo ter e aquilo que consigo ter. Não quero sofrer por coisas pequenas, pessoas pequenas, desejos fúteis e sonhos irreais. Quero ser feliz…ser feliz sem grandes motivos e sem depender de ninguém, só pode ser a mais autêntica forma de felicidade.
"É uma arte viver com a dor … mistura a luz com as cinzas."
Eddie Vedder






quarta-feira, 29 de abril de 2015

Antes de te aproximares de mim


Todas a pessoas com quem vamos estabelecendo ligações ao longo do tempo levam com eles um pouco de nós e deixam em nós um pouco da sua essência, nem sempre é algo bom. É impossível viver sem magoar ninguém, isso faria de nós super-homens. Contudo é possível fazer melhor, melhorar a nossa forma de ser com os outros deveria ser a nossa principal preocupação.

Porque aprendi à minha custa o quanto dói estar rodeado de pessoas e sentir-se só, porque aprendi que vale muito mais estar sozinho do que mal acompanhado, porque aprendi que são mais que muitas as pessoas que te vão usar, enganar e aproveitar a tua boa vontade para uso exclusivo dos seus interesses. Porque aprendi à minha custa que todos falhamos, mas uns muito mais que outros.

Antes de te aproximares de mim, analisa bem se temos alguma coisa para acrescentar um ao outro. Não há tempo a perder e eu deixei de ter paciência para aparências, conversas da boca para fora, jantares de ocasião que ficam bem no facebook, cenas de uma noite, mesas repletas de pessoas que fingem ter a vida perfeita, pessoas vazias que só me esgotam o corpo e a alma. Há um momento na vida que apenas nos interessam pessoas autênticas e essas são muito poucas hoje em dia.

Antes de te aproximares de mim, percebe que não há meios-termos no meu conceito de amor, ou amo tudo ou eu não amo nada. Percebe que as pessoas a quem me dedico são realmente o meu mundo porque eu não faço favor de me dar com ninguém. Esquece o “amor de vez em quando”, “o de vez em quando preciso de ti” ou o “de vez em quando somos amigos”, isso comigo não existe. Ou somos sempre e para tudo ou não somos nada.

Antes de te aproximares de mim é bom que saibas que eu não sou de constantes demonstrações de afecto ou de grandes carências. Estarei sempre que realmente for preciso, mas não estarei a todos os minutos. Sabe também que eu vou ao fim do mundo para defender quem gosto e por norma, não me esqueço de ti, em circunstância alguma. E apesar de aparentemente ausente eu não deixo de te amar, em circunstância alguma.

Antes de te aproximares de mim percebe que dificilmente vou ter alguma atitude preconceituosa ou normativa do teu comportamento, mas podes ter a certeza que vou dizer na tua cara que estás errado sempre que achar que estás. Sabe também que o maior problema da traição não é perdoar é voltar a confiar.

Antes de te aproximares de mim entende que do que eu gosto na amizade é da partilha e não tenho vergonha nenhuma de partilhar o que sou, sem artifícios. Tenho dias de grande alegria, cometo erros, tenho dias de agonia. Também não me dou com pessoas cheias de si. Ninguém é alegre sempre e o amor entre as pessoas devia servir para todas as alturas.

O mais importante na vida são as pessoas, nada como elas para transformar esta passagem num caminho mais bonito. Os “mais-menos” da minha vida não servem para nada a não ser para me dar a falsa ideia de preenchimento. Quando tudo à minha volta é “mais ou menos”, sou apenas um vazio. Aprendo com os erros e deixo entrar quem vem por bem. Rodeio-me de quem está por bem. Vivo com esses, choro, riu, ama-os da maneira mais correcta possível, são esses que merecem.
“Se os amigos são tão importantes na nossa vida como é que temos tão pouca vida para os (verdadeiros) amigos?”


quinta-feira, 23 de abril de 2015

A última carta


Talvez a maturidade seja aceitar aquilo que não podemos mudar e viver bem seja viver em paz com o que somos. A felicidade está no deixar que as guerras se apaziguem por si, deixar de lado as lutas inúteis e se eu tenho entrado em guerras perdidas.

Oiço tantas vezes as pessoas dizerem que só nos devemos arrepender do que não fizemos e que se não tentarmos, nunca saberemos. Usamos essas máximas com desculpas perfeitas para fazer o que nos apetecer, afinal só se vive uma vez. Mas não é bem assim…Muitas vezes as nossas loucuras deixam marcas profundas e um arrependimento que vai durar para sempre.

Há loucuras e há demências. Contigo eu deixei de ser uma louca satisfeita, para passar a viver na insanidade. Tu fizeste-me doente e eu deixei. São aberrações como tu que fazem as pessoas felizes ficarem feridas para o resto do tempo. E o tempo é tão curto.

Mas não, a culpa não é tua, a culpa das tuas monstruosidades é de pessoas como eu. Porque pessoas como eu acreditam sempre nas promessas quebradas que pessoas inúteis como tu erguem sem pensar. Porque pessoas como eu dão o melhor que têm. Dão tanto a tão pouco. E se eu dei.

Não é amor, já não é nada que se compare a isso. Eu aceito todos os dias um pouco mais que cometi um erro e que nunca vou poder mudar isso. Mas ainda dói… se dói. Dói na alma rasgada por ti. Uma ferida que já nada tem de sentimento magoado. Uma ferida de revolta é mais grave.

Como se me queimasse a garganta sempre que passas por mim com esse ar de quem domina o mundo. Logo tu que não vales nada. És a prova que grandes mulheres também se iludem e também choram. E se choram.

Eu cheguei até aqui com a plena consciência que tu foste o meu maior equívoco. Mas o que importa agora é como é que se vai daqui para lá. Porque o amor é o meu património e tu nunca o conseguirás destruir. Pode ser tarde demais para escrever esta carta…mas não é tarde demais para mim.

Para todas as mulheres que tiveram o azar de se cruzar com um filho da puta.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Pausa para a crónica - No 23 sem medo


Desço as escadas e acendo mais um cigarro, são sete horas e esta rua ainda está nua. Gosto da cidade despida de multidão, só o silêncio permite que oiça os meus tumultos. Lembro-me de ti e do teu olhar tão cheio.
Em passos lentos, caminho para a paragem onde me habituei a esperar pela alma e pelo 23 da carris também. Enquanto esperamos, eu a calma damos as mãos, com se precisássemos apenas uma da outra… nada mais.
A coragem faz-se demorar, ela sempre gostou de ser a última a chegar. Tenho tempo para pensar e criar o espírito para mais um dia perfeito. Há-de ser. Se formos juntos é mais fácil?
Chegou o 23, ninguém nos diz bom-dia. O que se consome mais nesta cidade é solidão. Cada um perdido no seu mundo, olhares vazios de pessoas com enfados matinais. Não me conduza por aí, esse caminho, eu já conheço. Reflicto.
Se vens comigo, então eu vou sem medo. Esta manhã tu que encorajas o meu caminho.
Lembro-me de ti e do teu olhar tão cheio.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Pausa para Crónica - Grow up.. but don't give up

Hoje é o último dia dos meus 26 anos. É estranho pensar assim, é estranho pensar num tempo que não volta nunca mais.
 
Não tenho nada contra o envelhecimento, acho que os anos passam e a maturidade traz consigo coisas boas, uma serenidade rara até agora, uma forma menos inflamada de ser, contudo nunca fiz um aniversário tão sentido e consciente da fugacidade de tudo. Consciente que a juventude nos foge.

É inevitável olhar para o tempo que passou e não fazer perguntas. Será que fui tudo o que podia ter sido? A velha questão que me perturba desde sempre. Será que me vou cumprir?

Analisar as coisas não as muda, mas eu preciso de escrever isto, nem que seja para lavar a alma, só mais uma vez. Eu não sei se podia ter sido muito mais até aqui, mas eu sei que fui tudo o que quis ser.

Não reclamarei de nada hoje, porque estes foram os melhores anos que eu podia ter tido. Muita persistência conjugada com uma porção de sorte, as pessoas certas e as pessoas erradas na hora exacta, hora exacta de aprender.Talvez eu não precisasse de ver tanta coisa nem de aguentar tanto, para tirar estas lições da vida, mas foi este o método de ensino que ela me deu. Na maior parte das vezes… resultou.

Acredito que tudo acontece com um propósito. As pessoas na estrada, as pedras, as quedas, os sonhos que ficaram por cumprir, as lições, os gestos que nos enchem o coração e até as mágoas que nos provocam são o preenchimento da história. São o pintar de uma tela em branco.

No final, o mais importante nesta caminhada vão ser as gargalhadas que deste, a felicidade que partilhaste, o bem que fizeste e o que te fizeram. Nisto eu fui abençoada com seres grandiosos. Eu queira ou não e apesar de todas as minhas manias de independência, tem existido sempre uma mão para me ajudar, alguém para me ouvir, alguém para me compreender. Dos pais aos irmãos. Da família à família que eu escolhi. A todos eles um obrigado por existirem.

Estou aqui para dizer que tenho orgulho em mim, na mulher que me tornei. Gosto de me ser. Assim um pouco só, meio alheada do comum, meio estranha. Com esta essência radical cada vez mais forte e nem por isso perdendo o amor e sobretudo a esperança no amor. Desengane-se quem acha que quando eu falo em amor falo em romantismo, quando eu digo esperança no amor é mesma coisa que estar dizer esperança no respeito das pessoas umas pelas outras. É respeito que falta. "Amor", as pessoas têm para dar e vender. (Eu sabia que não ia conseguir escrever o texto sem mandar uma boca!)

Então se tem de ser, vamos lá fazer 27 anos. Agora estou pronta. Pronta para essas novas lutas, pronta para continuar a aprender todos os dias, para provavelmente entristecer momentaneamente mais 300 vezes, mas também para viver esta serenidade que aprendeu a morar em mim, nestes últimos anos.

Bem-vinda fase adulta.

 


 

 

 

 

 

 

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Pausa para a poesia - Extinto


Há qualquer coisa de trágico em ti, eu sinto

Tão cinzento como é em mim e com todas essas peças sagradas.

Sempre tudo tão sentido, magoado. Malditas amarras.

Nesse olhar secreto que trazes e que eu pressinto

No meu olhar incompreendido, na procura que nunca se desgasta

Na essência que não se descobre, na distância que nos afasta

Há qualquer coisa de mágico, eu não minto.

No teu existir e no meu afecto que eu julgara extinto.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Pausa para a crónica - Fora do catálogo


Importa-me olhar para mim, olhar para dentro. Não só olhar, como ver as reais inquietações de pessoas como eu, de pessoas como tu. Explorar a verdadeira ideia de felicidade e realização. Falar de temas gerais e adaptá-los á pessoa que sou hoje. Gostava que este texto fosse uma ode ao Ser Humano. A todos os sonhadores, sensíveis mas ao mesmo tempo, seres de garra, capazes, sólidos, fora do catálogo.
Sempre me considerei uma pessoa aparentemente forte. Aparentemente, porque ninguém sabe a força que tem até ao momento em que é preciso tê-la. Eu não sabia o que como iria reagir em situações realmente difíceis, agora tenho uma noção. Comprovo que sou um osso duro de roer e isso conforta-me. “A vida tem Outonos”, a alegria é uma passagem que acontece assim como a tristeza, há momentos em que nada joga a nosso favor e para viver uma vida plena é preciso aprender a sobreviver a isso. Uma coisa é ser sensível, outra muito diferente é ser uma pessoa fraca. A tua atitude para a vida define seriamente a maneira como as coisas acontecem á tua volta.
A felicidade não pode ser considerada um destino, até mesmo porque ninguém pode garantir o que esse estado significa, esse lugar não é igual para todos e nada garante que apesar de teres chegado a um determinado patamar, não existam outros, 10 vezes melhores. Não é possível criar uma fórmula mágica e universal que te fará atingir o nirvana. É impraticável… o segredo está em cada um e na aventura que cada um quer viver.
Na filosofia grega, Eudaoimonia significa em termos genéricos felicidade, em termos mais específicos e segundo Aristóteles, a realização plena do próprio ser é a condição necessária para chegar a felicidade. Cada pessoa tem um percurso, uma maneira de se realizar. A felicidade está no caminho, na estrada, na forma como caminhas, como achas graça a pequenas coisas, como te entregas ao mínimo que fazes, como vais lutando e realizando sonhos, na forma como enfrentas e combates problemas e pessoas também.
Sempre me senti assim estranha, eu não tenho sítio porque passo a minha vida à procura dele e como diria António Variações “só estou bem aonde não estou”. Vivi tanto tempo com medo de não me encaixar e percebo agora que não há problema nenhum nisso. As pessoas gostam de mim assim, meio deslocada, meio á procura de sabe-se lá o quê e é bom perceber isso.
Obviamente há coisas que terás que mudar ou adaptar para conseguires viver em sociedade e eu também tenho dessas. Mas a tua essência, aquilo que és, tem de ser aceite e compreendido, se não for, temos pena! Ninguém é obrigado a gostar de ninguém.
Não querendo ser prepotente, mas na realidade eu sou uma das diferentes, tendo em conta o individualismo e egocentrismo que a sociedade enfrenta, as vaidades surrealistas, a maneira com toda a gente ignora a morte de certos princípios essenciais como o respeito, a humildade, o amor.
O modo como vivem excessivamente fixados no próprio umbigo, nos bens que têm, na aparência que dão e até a performance sexual passa à frente de merdas fundamentais. Desculpem-me, eu não sou santa nenhuma mas deste catálogo… eu não faço parte.
O desejo de liberdade é comum a muita gente. Ser livre, na minha opinião, implica viver não justificando muito, implica estar fora de uma gaiola, chamada sociedade mas respeitando sempre quem quer ficar dentro dela. Existem muitos pássaros que não querem sair da gaiola mas também existem outros que uma vez fora desse espaço físico confortável, se perdem. Uma coisa é ser independente, outra é ser livre. É das coisas mais complicadas de se fazer.
Citar o romantismo é vago. Eu não sou romântica, sou apenas pelo amor. Lacan disse “ Amar, é dar o que não se tem”, e é só isto que eu acredito, dar o que vai além de si mesmo, sem esperar que isso nos venha a preencher. A sociedade “ama” mal, ama porque o outro é um meio de satisfazer os seus desejos mas isso não é amor, isso para mim é só aparência, egoísmo, medo da solidão, falta de algo. Lamento mas neste campo eu não tenho elixir, se as coisas não forem como eu acredito… então elas nunca vão ser.
Se tivesse que escolher uma frase para terminar este texto que é no fundo uma reflexão sobre mim eu diria:
"Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar. Onde leva? Não perguntes, segue-o!"
Nietzsche

segunda-feira, 30 de março de 2015

Pausa para a poesia - Apaga a alma com calma

Que desassossego te causaria eu dizer que errei?
Aconteceu assim em todas as guerras que inventei
Aconteceu assim em todos os afectos que magoei.
Na verdade, eu nem nunca tentei…           
Desculpa se não te impressionei.
Conheces aquela dor mesquinha?
A que provocaste e eu não sabia que tinha?
Que perturbação te causaria eu dizer que te odiei?
Tu, que arrasaste todas as partes do coração que te dei.
Tu, que dilaceraste os sonhos que eu sonhei.
Conheces aquela dor emocional de existir?
Aquela que quase me fez desistir...
Calma. Apaga a alma com calma.
Que inquietação te causaria eu dizer que alcancei?
Que desordem te causaria eu dizer que amanhã já não estarei?
Na verdade, eu nem nunca me esgotei.
Desculpa… se não te esperei.


segunda-feira, 9 de março de 2015

Pausa para a crónica - O teu final feliz

Pediram-me para escrever sobre o amor, não um amor qualquer, um daqueles felizes para sempre. Respondi que não sabia. E não sei. Não sei falar de coisas que não vivi e também não as vou inventar. Os amores felizes para sempre ficam na imaginação de quem como eu não os sentiu ou na realidade de quem os vive. E a esses parabéns!
Talvez algumas pessoas tenham o seu final feliz materializado noutra coisa qualquer que não se “resuma” a ter uma pessoa ao lado. No início da estrada isso vai parecer estranho e injusto, muitas vezes o caminho vai ser mais duro, porque na realidade não haverá em quem te apoiares, dessa maneira que querias. Mas depois percebes, um dia percebes a razão das coisas serem assim contigo. É para esses que eu escrevo. Para mim também.
Sem vergonhas ou problemas de admitir que falhei, falho quando escolho errado e falho quando escolho certo. Toda a minha vida foi uma sucessão de erros e muitos deles motivados por mim própria. E então? Valeu a pena, vale tudo a pena quando somos sinceros, quando vamos inteiros para as coisas, quando damos o melhor de nós ou tentamos dar. Independentemente do que dá sempre errado, a vida dos que falham é muito mais rica em emoção. É para esses que eu escrevo. Para mim também.
O meu final feliz está em mim. Dentro de ti existe muito mais do tu que imaginas, está um mundo inteiro á espera que lhe ensines como ressurgir a cada pancada que levas, e vais levar muitas. Cada vez que te enganas ou iludes, sofres, mas também aprendes. Aprendes que na tua vida vão passar muitas pessoas egoístas. Vais descobrir por ti que não tens limites para cair, mas também não tens limites para te levantar e levantas-te todas as vezes que forem necessárias.
O teu final feliz está em ti. Na aprendizagem de que viver é mais do que existir, viver é muito mais que seguir padrões, cumprir regras e ser uma pessoa normal. Nós não somos pessoas normais. Somos guerreiros de uma guerra que não escolhemos. É para esses que eu escrevo. Para mim também.
O final feliz és tu que o fazes e isso só pode acontecer quando há amor em ti. Quando pões de ti, dás de ti sem esperar nada em troca. Quando praticas o “que se lixe, vou tentar”, vezes sem conta até acertares. Uma pessoa feliz é uma pessoa que não se esgota. É uma pessoa que supera todos os obstáculos, que brinca com as dificuldades. Uma pessoa feliz é uma pessoa que aceita a derrota e segue em frente. Muitas vezes uma pessoa feliz é o mais singelo dos seres, e então? Uma pessoa feliz és tu e sou eu e todos os outros que acreditam como se tivessem sempre 15 anos. 
Finais felizes vêm de dentro. É para esses que eu escrevo. Para mim também.



quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Pausa para a Prosa Poética - Não existe coração

Seguem os dias vulgares, horas de desabrigo disfarçados com falsas aparências e sorrisos vãos. Há dias em que eu acho que não há coração para mais nada. É tudo uma ilusão.
O amor que pensamos dar e mais ainda o que pensamos que recebemos. Quimera.
É impossível acreditar se nada passa de palavras sempre inúteis e sem fundamento que as pessoas dizem sem sentir. As pessoas falam sem perspectiva, sem afecto. Falam por falar. O que nos dizem hoje, amanhã dirão a quem calhar.
São coisas que não tem relação com idade, género ou até carácter. São coisas da sociedade, da vida louca que vivemos. Não sei se há excepções nestas tremendas ambições.
Não há verdade nenhuma, há interesse. As pessoas interessam-se mais por coleccionar. Coisas podem ser catalogadas, coleccionadas, aglomeradas em caixas. Pessoas não.
As pessoas não são ou não deviam ser colecções. E seguem-se as gerações com estilos de vida errados…
Errados?
Seguem os dias cansados, horas de desilusão disfarçadas pela busca incessante de alguma coisa que alguém perdeu. E não fui eu. Essa desilusão… não fui eu.

Há dias em que eu acho que não existe coração. Maldição. E agora? 


terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Pausa para a poesia - High Hopes

Lembras-te de mim? O meu nome ainda te causa rebuliço?

Ainda te lembras com se escapa deste inferno?

Eu sei, sei que é louco. Acreditar em coisas. Essas coisas da nossa fantasia.

Ainda tens medo! E por isso mentes.

As nossas esperanças eram tão altas, amor.

Lembras-te de mim? E o meu nome ainda te faz pensar nisso?

Ainda te lembras com se chega ao nosso eterno?

Eu sei, sei que era um sonho. Sonhar com coisas. Essas coisas da nossa utopia.

Ainda tenho medo! Sentes?

As nossas esperanças eram tão altas, amor.


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Pausa para crónica - Um estado instável de pouco amor

Fevereiro é um bom mês para recomeçar, li algures. Fuck this shit… Estou tão farta de recomeços! Recomeçamos quando algo acaba mas não necessariamente porque algo começa. Hoje tenho dúvidas que todos os finais sejam inícios de alguma coisa porque os finais vão matando. Os finais matam coisas boas que existiam dentro e mesmo que haja maneira de as recuperar, nada será igual. Enquanto começa e não começa, só sentes. Não é dor física mas parece, não é depressão mas assemelha-se. É um estado instável de pouco amor. Pouco amor ao que és, o único tipo de amor que nunca deveria falhar. Talvez Fevereiro seja um mês perfeito para pairar nessa neblina que é o encontro que preciso ter. Eu preciso ter. 


domingo, 1 de fevereiro de 2015

Pausa para a poesia - Sentir-te

Serias tu capaz de guardar esse segredo?
É que eu acho que me perdi. Perdi as percepções.
E agora tudo que faço é movido pelo medo.
Perdi a razão, arrasei todas as minhas convicções.
Talvez tenha ficado magia por se beijar
O corpo e a alma que ficou por agarrar…
Em todos os dias em que nos encontramos no nosso lugar.
Serias tu capaz de guardar o nosso desejo,
Como quem morre apenas por um beijo?
Morro nos teus olhos e na nossa despedida
Quero saber como estas e como vai a tua vida
Tu que és a parte do amor mais escondida.
Serias tu capaz de ser tudo e depois nada?
Pedes-me mais mas a história foi mal desenhada.
As voltas que dás ao que és, ainda não as sabes definir
E eu quando posso falar na verdade nunca sei o que te dizer
Disfarço, disfarças e tentamos não lembrar o que queremos sentir,
Sentir-te, para além das palavras que não chegaram a acontecer.
Sentir-te, para além de tudo o que nos faz esquecer.
Sentir-te, serei eu capaz de o fazer?


terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Pausa para a Crónica - Diversidade Religiosa

Esclareço antes de mais que o que escrevo nesta e em outras crónicas do género é apenas uma opinião que não têm o objectivo de ofender ninguém e baseia-se apenas no conhecimento que eu tenho e continuo a procurar ter em relação ao tema. Não estou a escrever numa perspectiva hostil (como muitas vezes escrevo) mas sim numa outra vertente de mim: atenta e preocupada.

A questão da diversidade religiosa é um assunto de extrema importância nos nossos dias. A maior parte dos conflitos mundiais actuais ou não, têm ou tiveram, algum fundo religioso, a par das questões geopolíticas e económicas que infelizmente muito interferem na questão.

Já de alguns anos a esta parte que não é possível ignorar que o mundo tem problemas graves por resolver. Seriam muitos os exemplos que infelizmente teria aqui para escrever se recordasse todos os “ataques” motivados pelo radicalismo religioso, mas obviamente que o caso do Charlie Hebdo está totalmente presente na minha mente. 

Eu não tenho respostas ou soluções. Tenho apenas dúvidas…Que Deus ou Deuses são estes? Que crença é esta que obriga, mata, restringe, ridiculariza? Que prisões são estas que o mundo insiste em entrar? Que insolência é essa a de supor que a “minha” religião possa desvalorizar o que quer que seja? Que estupidez é essa de sair por aí aos tiros e aos bombardeamentos só porque eu penso diferente de ti e a minha fé não é a mesma que a tua?

Que deuses protectores e bons são estes? Seja qual for a religião existem “leis” estranhas para mim e a mim (volto a frisar) levantam-me muitas dúvidas.

A religião perde todo o sentido e razão de existir quando não respeita minimamente os princípios para os quais foi criada. A religião não é afinal um culto que deve aproximar o humano de uma entidade que o faça sentir bem e em paz consigo e com o seu semelhante? Acho que se anda a fazer tudo ao contrário e o problema certamente não está só na Religião Islâmica. Crer nisso é um acto de ignorância e arrogância.

Por exemplo, o Cristianismo, que condena o uso de métodos contraceptivos. Há 2,4 milhões de mortes por ano, só na África Subsariana, devido ao HIV. Não contrariar esta tendência ou incentivar para que ela aconteça não será também um acto de terrorismo? Uma família a viver de rendimentos mínimos com 3 ou 4 filhos precisa mesmo de mais uns quantos? Ou quem sabe, deixar de fazer sexo possa melhorar significativamente a vida do casal? Tem lógica?

O Judaísmo e o seu Messias que permite deixar Árabes Palestinos ou Palestinianos apriscados na Faixa de Gaza, porque ser egoísta e não ter capacidade de partilha é que é bonito? Não estou dizer que os Judeus têm ou não razão de reivindicar Israel e a zona da Palestina, isso não interessa para o caso. Mas a religião não devia promover a partilha e o entendimento? Ou é a fazer muros que as coisas vão para a frente?

O Hinduísmo, os seus Deuses e uma sociedade que desrespeita todos os Direitos Humanos (falo especificamente da Índia) acreditando que determinada pessoa nasce na casta mais baixa ou inexistente, porque merece? E se não se portar bem (se não servir os outros) ainda vai reencarnar em coisa pior na próxima vida. Estes Deuses são justos?

O Islamismo e os seus extremismos, que tudo indica, devem defender Alá até às últimas consequências e quem sabe morrer e matar por ele. Estamos bem é a morrer? Estão bem é a explodir crianças e pessoas que nada têm a ver com as vossas loucuras? Que deus é esse? Não defendo radicalismos. Qualquer fanático religioso, capaz de atrocidades contra a vida humana é na minha opinião, um louco. Mas é importante não esquecer que existem radicalismos e muita estupidez em todas as religiões e políticas.

Continuaríamos assim a achar muitas incoerências em todas as religiões do mundo e continuaremos a seguir doutrinas que os homens (e não os deuses) nos impõem.

Nenhuma entidade supostamente protectora da nossa existência pode permitir que ultrajes e atentados à vida sejam uma obrigação. É inconcebível para mim que esses Deuses permitam ou incentivem a matança e a humilhação. Cada um é livre de acreditar no que quiser, ok! Desde que não perturbe a liberdade individual de ninguém.

A culpa não é dos Deuses, nunca foi. A culpa é dos humanos, das cabeças doentias que tratam os povos como se fossem donos de alguma coisa, de pessoas que não fazem a mínima ideia de que é viver em comunhão com uma entidade e com a diferença. Os fundamentalistas de qualquer religião estão a falhar porque criticam todas as religiões, menos a sua. Enquanto não se olhar com lógica para os próprios erros não vamos resolver nenhum conflito, não vamos ter respeito, não vamos parar de sacrificar pessoas, não vão parar de morrer inocentes.

Não autorizem que vos castrem a possibilidade e liberdade de pensar e de fazer as coisas certas: falando, discutindo, procurando a paz, respeitando as diferenças, zelando pela própria vida e pela do próximo, seja ele quem for. Independentemente da cor, país, política ou religião. Não autorizem que vos imponham verdades, procurem-nas!







domingo, 18 de janeiro de 2015

Pausa para a crónica - Será que ainda há tempo para voltar?

O caminho é perpétuamente igual e a paisagem é a mesma de sempre. Sou eu que vou diferente, vou exausta. A mesmice das sensações e da vida estraga-me a alma e o canto que tinha sonhos. Ela devasta.

Os cabelos agora tingidos de branco abrem-me a porta das preocupações. Queria ser mais, cuidar mais, estar mais e abraçar tanto e tudo.

Apesar de úteis os meus caminhos estão errados. Apesar de aparentemente fortes as minhas escolhas fracassaram. Começo a perceber isso quando deixo tudo e vou à procura do nada. Um nada frutuoso e confortável que nunca deixará de ser tão pouco.

O meu bem-estar de nada serve quando vejo na minha frente o tempo esvair-se nas mãos que em breve já não vão ter onde (se) agarrar.


A luta de nada serve se não tenho por quem lutar! Será que ainda há tempo para voltar?


segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Pausa para a Crónica - Texto de final de Ano - Aponta para fé e rema! Boas Festas!

Estamos a chegar ao fim de mais um ano e vocês sabem que eu tenho mania de fazer balanços por esta altura.É estúpido. A alteração de ano não muda nada, mas dá-me alguma esperança e incentivo para a renovação e construção de coisas que ficaram por fazer. E por dizer.

Tenho medo de estar a ser ingrata com 2014, mas eu não gostei muito dele! Dizer mal dele é ou pode ser considerado ingratidão porque na realidade eu tenho o mais importante: saúde, trabalho, boa disposição e gente boa. Ok, ninguém diz o contrário e estou muito grata por isso!

Porém, 2014 foi um ano que espelhou também muita frustração, por não conseguir ir tão longe como gostaria, muitas preocupações de gestão financeira, problemas de saúde de pessoas próximas, azares que destruíram pequenas coisas que demorei para construir, desilusões, medo e ao mesmo tempo uma vontade gigante de mandar tudo ao ar. Na realidade eu não fui devastada por nada disto, porque me levantei como sempre faço e vou à luta. Mas cansa.

Mandar tudo para o ar: Sempre soube que a minha maturidade reside em contrariar o meu “pavio curto” (Pessoa de comportamento explosivo, pouco paciente ou tolerante), na realidade acho que ele está cada vez mais curto. Não consigo encontrar a calma e a paciência necessários para uma vida estável, não consigo admitir a convivência com alguém que não esta de acordo com os meus parâmetros de respeito, e embora isso se note cada vez mais, a maneira com o faço sentir ou seja a maneira como expresso isso está mais subtil. É chato contrariarmos o que somos. Acho que nunca vou conseguir mudar totalmente, mas trabalho nisso todos os dias.

Problemas e frustrações: As preocupações que me perseguem são de algum modo gerais. Este país dá cabo de qualquer um, é frustrante! Eu sou uma sortuda tenho quase 27 anos e nunca tive desempregada, mas às vezes é desesperante! Levantar todos os dias de madrugada, fazer o meu melhor, dar tudo o que tenho e às vezes até mais que isso e nada! A vida não anda e se andar é para trás. Comes, bebes, pagas as contas, tens pequenos (pequeníssimos) vícios e ócios e dá-te por contente! Eu não preciso de muito mais para ser feliz, é certo. Mas eu tenho ambição, não posso dizer que não. Eu não posso negar que gostava de ter uma casa melhor, não posso negar que estou absolutamente cansada de transportes públicos e gostaria imenso de passar férias onde desejasse. Há pessoas que me criticam por isto... mas porra eu não estou sentada no sofá à espera que isto me caia em cima! Eu quero conquistar as coisas com o esforço do meu trabalho e também quero ser recompensada de forma justa. Se querer um país mais justo em oportunidades é ser ambicioso então sim eu sou uma pessoa ambiciosa. Eu sei que é preciso ter calma e persistência, mas não é fácil, acho também que eu nunca escrevi tão sinceramente e de forma tão directa sobre isto, mas ando um bocado estafada de indirectas. Vingar sozinho é fodido! Ninguém tem culpa de ter pais ricos, ser de boas famílias, ter onde se agarrar, eu não crítico! Mas não me venham com balelas porque essas pessoas que às vezes ainda têm o desplante de fazer pouco ou mandar bocas, não fazem a mínima ideia do que falam.

Desilusões: Nós só nos desiludimos com quem gostamos, às vezes com quem gostamos muito e outras vezes iludimos-nos a nós mesmos. Este ano foi intenso em relação a isto. Preciso de dizer o que aprendi, nós temos que nos dar apenas a quem nos vê. E falo de amizades, amores, laços de família. Se tu dás de ti a alguém que não te vê, não te conhece, não te ama e não te retribui na mesma proporção, então esse é um esforço inglório que nunca te fará feliz.
Desiludir alguém, acontece! E ser desiludido também. Algumas pessoas foram feitas para ficar na nossa vida e outras apenas para viver um pedaço dela. Embora te possa trazer alguma tristeza e nostalgia aceitar isto, é a condição essencial para seguir em frente.

Medo: Eu sou mariquinhas! Não parece, mas sou. Admitir os meus medos é achar o caminho para os combater. Ao longo do tempo e das cabeçadas que vamos dando nós vamos ficando mais espertos, mas nem sempre isso é bom. Ganhas muitas defesas desnecessárias. Às vezes é bom ir na onda, deixar essas amarras que nos impedem tantas vezes de estar bem e de partilhar isso…
Eu sou avisada para ter cuidado com isto e com aquilo e falar menos e contar menos. Mas para quê? A vida é isto, é o que acontece e nem sempre está tudo na palma da mão. A minha vida é desajeitada mas eu gosto dela assim. Gosto de a partilhar assim com quem gosto, porque não a invento. É isso que eu mais gosto em mim, eu não faço da minha vida uma casa perfeita de bonecas perfeitas e não venho para aqui escrever só o que me acontece de bom.

Eu sou isto e esta é a minha realidade nua.

Meus queridos tenham um Feliz Natal e desejo muito que o nosso ano 2015 seja um bocadinho mais compensador, não é preciso vir tudo ao mesmo tempo, mas um bocadinho mais dava jeito! Se não olha, a malta sobrevive, sem a casa perfeita de bonecas perfeitas, na vida que dá para ter. E melhor que isso? Sobreviveremos felizes.

Boas festas!



(p.s. 2014 apesar de eu falar mal de ti, obrigado por certas prendas