segunda-feira, 20 de abril de 2015

Pausa para a crónica - No 23 sem medo


Desço as escadas e acendo mais um cigarro, são sete horas e esta rua ainda está nua. Gosto da cidade despida de multidão, só o silêncio permite que oiça os meus tumultos. Lembro-me de ti e do teu olhar tão cheio.
Em passos lentos, caminho para a paragem onde me habituei a esperar pela alma e pelo 23 da carris também. Enquanto esperamos, eu a calma damos as mãos, com se precisássemos apenas uma da outra… nada mais.
A coragem faz-se demorar, ela sempre gostou de ser a última a chegar. Tenho tempo para pensar e criar o espírito para mais um dia perfeito. Há-de ser. Se formos juntos é mais fácil?
Chegou o 23, ninguém nos diz bom-dia. O que se consome mais nesta cidade é solidão. Cada um perdido no seu mundo, olhares vazios de pessoas com enfados matinais. Não me conduza por aí, esse caminho, eu já conheço. Reflicto.
Se vens comigo, então eu vou sem medo. Esta manhã tu que encorajas o meu caminho.
Lembro-me de ti e do teu olhar tão cheio.