quarta-feira, 13 de maio de 2015

Antes de partir


Antes de partir

Um dia tu vais ficar sem mim e eu vou ficar sem ti. Um dia nós vamos embora e nada mais vai restar para além das lembranças que tu e eu criámos. É engraçado como apesar de sermos tão diferentes, nós acreditamos que se esta vida nos vai marcando, nós também podemos marcar a vida, à nossa maneira.

 Se a vida acabasse amanhã já teria valido tanto a pena, porque fazer valer a pena é algo que apenas se prende com as pessoas que amamos e com as pessoas que nos amam. Que nos amam apesar de tudo, apesar das visíveis imperfeições que nos saltam da pele muitas vezes em forma de cicatrizes ou feridas mal curadas.

Privar com pessoas que muitas vezes parecem mensageiros, é dos maiores privilégios que podemos ter. Quando percebes que tudo isto não passa de uma curta jornada, entendes que as mágoas só te atrasam o passo, os pequenos desentendimentos fazem parte mas não podem ser a grande parte de tudo isto. Porque na realidade somos feitos da mesma matéria falível e profundamente frágil, que mais tarde ou mais cedo, apenas se esfumaça no incrível mistério que será a próxima viagem.

Na realidade nem todos vão gostar de nós e nós também não vamos ser capazes de gostar de toda a gente, mesmo que se queira gostar, o sentimento nunca nasce por obrigação. Vamos viver bem com isso porque é natural que assim seja. Vamos esquecer e dedicar o tempo apenas a quem importa para nós. Muitas vezes o ser humano tem a estúpida tendência de fazer precisamente o contrário, dedicar tempo a quem não tem ou não devia ter relevância na sua vida.

Antes de um de nós partir, deixa-me dizer-te as coisas assim cruas para que as leves contigo, para onde quer que vás. Deixa-me dizer-te que embora nem sempre saibas porque na realidade eu nunca te dou a entender, tu és uma inspiração de vida. 

Não vás sem que te diga que foi contigo que aprendi a ser lutadora, tu ensinaste-me que só se desiste no fim e que por mais que o cenário seja trágico, o caminho é sempre para a frente. Não vás sem que te diga que a tua calma é a minha herança, esse jeito de viver desprendido como quem não se importa, mas na realidade se vai importando devagar. Não vás sem que te diga que foste a melhor coisa que me aconteceu. Não vás sem que te diga que existem realmente amizades eternas e que elas contêm tanta história que quase não nos cabe na memória. São os de sempre e para sempre que se destacam numa existência sempre tão efémera.

Não vás sem que te agradeça que me escutes, que me agarres, que me faças rir. Porque rir é das melhores coisas que fazemos juntos. Rimos de nós próprios, dos nossos enganos, dos tiros que demos no pé. E continuamos a rir porque sabemos que somos imperfeitos e que voltaremos a cometer o mesmo erro, melhor ainda… não nos importamos.

Não vás sem que te diga que se não fosses tu talvez as coisas não corressem tão bem. Porque tu acalmas a minha revolta e mostras-me a razão das coisas. Tu mostras-me o lado bom da vida quando eu não o consigo ver. Não vás sem que te mostre que talvez o para sempre não exista em todos os casos, nós sabemos. No entanto tu e eu fizemos parte em algum momento de um quadro perfeito que guardamos e recordamos, vamos recordar até ao fim.

Não vás sem que te explique que és um ser humano fantástico e que a tua presença muitas vezes muda o estado de espírito das pessoas. Porque ser boa influência não é para qualquer um e o carisma não se compra, não se faz existir. Ou se tem ou não se tem.

Não vou sem te dizer obrigado por existires e tornares os meus dias banais em dias produtivos, em dias aproveitados, sentidos, vividos.

Porque nós sabemos que é assim que a vida tem de ser, intensa, verdadeira, partilhada, autêntica…

A vida neste aspecto é o que queiramos que ela seja, as pessoas tem e ser amadas da forma mais correcta possível, tu tens de dizer o quanto gostas e aprecias a companhia, tu tens de mostrar que alguma coisa mudou apenas por um cruzar de caminho, tu podes melhorar o dia de alguém, tu podes mudar positivamente a vida de alguém e tudo isso só pode acontecer… antes de alguém partir.

Aos meus,

IRamos 2015