quarta-feira, 4 de junho de 2014

Pausa para a poesia dele - Fernando Pessoa

"Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe — todos eles príncipes — na vida…
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.

Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?

Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!

Onde é que há gente no mundo?

 
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?"
 
(Trecho de “Poema em Linha Reta”, de Fernando Pessoa)
 


 
(São João do Estoril /2013)