quarta-feira, 9 de abril de 2014

Pausa para a crónica - Poliamor



“Daniel Cardoso, 27 anos, é poliamoroso, ou seja, mantém relações consentidas com várias companheiras. Chama-lhe uma "constelação familiar" e explica que não é muito diferente dos casamentos convencionais que conhecemos, implica apenas mais pessoas. Daniel assume a liberdade de escolha.”

Já vi esta reportagem á algum tempo, entretanto tenho estado a reflectir sobre ela, e decidi hoje, escrever sobre o assunto poliamor. Antes de lerem o que eu vou escrever, dêem uma olhadela à reportagem, para se perceber melhor.

Antes de começar a expor a minha ideia, quero dizer que tal como a reportagem faz referência, trata-se de liberdades, e a partir do momento em que a liberdade do outro não interfere na minha, eu devo-a respeitar. Ou seja, não quero de modo algum criticar o Daniel Cardoso ou as suas companheiras, quero apenas usufruir da minha liberdade de expressão e dar a minha opinião.

O assunto não é assim tão recente, existe e não anda escondido. Penso que inicialmente se tenha revelado mais com o conceito de “relação aberta” e isso é visível até na coisa mais banal, como por exemplo as redes sociais, mas efectivamente faz confusão a muita gente.

Sou sincera, na minha visão infantil e romântica, poliamor é quebrar o meu imaginário principesco. 

Reconheço que penso assim, inteiramente por uma questão cultural, cresci a pensar assim, fui educada assim.

Mas se eu for analisar a questão a fundo, e recorrendo ao que observo todos os dias, é preferível amar e fazer felizes, 4 pessoas ao mesmo tempo ou enganar uma?

A traição é ponto assente, eu vejo coisas todos os dias, que me levam a crer que a percentagem de pessoas fiéis é mínima! E não falo só de homens.

Verdade seja dita, toda a gente tem olhinhos na cara, toda a gente gosta de se sentir “cobiçado”, toda a gente precisa deste jogo de atracções, faz parte do ser humano. Não há ninguém que não tenha passado por uma tentação, indecisão ou seja o que for. E a maior parte de nós, não tem poder de resistência, não tem mesmo! Será que há alguém com essa capacidade? bem.. alguém ainda deve haver, mas são poucos!

Ouvi também alguém dizer, que dar uma escapadinha é normal, é aceitável, é apenas físico, dividir o amor ou seja amar várias pessoas ao mesmo tempo é que é mau.

Para ser franca, e lá estou eu com os meus radicalismos infantis, não acho nada normal! Faz-me confusão a questão do amor por várias pessoas ao mesmo tempo, e também me faz confusão as “escapadinhas”.

A minha avó costumava dizer, “cada panela tem o seu testo”, eu acreditei nela. Mas hoje, estou descrente que a monogamia faça sentido numa sociedade fútil, fugaz e egocêntrica.

Acho que cada um é livre de escolher o que o faz feliz, hoje em dia nestas coisas, só é vítima quem se põe a jeito.

Para terminar, apenas dizer que admiro quem escolhe ser e viver da maneira que o faz feliz, mesmo não sendo o padrão da sociedade, na qual está inserido.

O que é que vocês pensam deste assunto?

A solução está no poliamor? Há infidelidade consentida? Existe amor exclusivo?