sexta-feira, 4 de abril de 2014

Pausa para a crónica - Red Wine


Dizem, que o escritor é o reflexo das suas experiências, pois hoje foi o pior dia da minha vida.

Dizem que a desilusão dói no coração, mas eu acho que dói no corpo todo. Já sentiram isso?

Como se não te conseguisses movimentar, os olhos perdidos e a mente em erupção. Como se pudesses matar e morrer ao mesmo tempo. Em que o único desejo que tens é sair e gritar, bem alto, como te doí a merda que os outros fazem.

Dizem por aí que as pessoas são más, outras são loucas ou cobardes. E eu sinto que não me encaixo nisto. A minha maldade existe, mas não tem coragem para sair à rua, a minha loucura, se calhar não é assim tão louca e minha cobardia, essa, não acorda comigo de manhã.

É impressão minha, ou as pessoas estão a adoptar um modo de vida, meio estranho e estúpido, no qual ganha quem enganar, manipular ou usar mais?

Dizem que os escritores são doidos, sim! Sinto-me verdadeiramente doida e doente nesta sociedade onde nunca se sabe quem é quem. Estou doida e tonta, esta última parte, deve ser do vinho tinto que me faz companhia, numa noite triste e chuvosa de Abril.

Se ter dúvidas, é normal. Fazer delas, desculpa para lixar os outros, é ter mau carácter.

Mau carácter… Mau carácter é vago demais. Todos nós temos tentações, a sensação clara e quase diária que não podemos fazer determinada coisa, mas que mesmo assim nos apetece, mais que tudo, fazê-la.

E o mundo distingue-se nos que não fazem e nos que fazem. Quase todos acabam por fazer. Fracos!

Fracos… Fracos é vago demais. Fraco é aquele que sucumbe. Por mais que o mundo ande todo ao contrário, forte é aquele que rema contra a maré. Aquele que luta até o ultimo fôlego, aquele que resiste até ao coração deixar de bater.

Mentiras, às vezes é preciso mentir, poupar, ocultar. Se não mentimos arranjamos problemas, e a verdade é essa, nua e crua. Mas há mentiras e mentiras. Há mundos ocultos e mundos ocultos!

Mentira, termo demasiado vago. Uma arte que nem toda a gente tem, essa de enganar. Para mim, escritora doida e tonta, arte que o esperto pensa que tem, e que só dá certo quando o enganado é burro ou quer ser.

Burrice, idiotice, estupidez. Coisas comuns em nós.

Eu podia chorar por ser estúpida? Podia… mas a lágrima não corrige a estupidez, a lágrima só lava a alma, e a minha, não está suja, está apenas vazia.

Chove-me na janela pequena, uma cidade ainda por acordar. Um vinho que me invade e preenche os buracos feitos por essa bala, mal lançada. Eu não merecia? Quem merecia a bala?

Dizem que eu sou uma escritora dramática. E eu concordo, não sei escrever feliz.

Feliz…Feliz é vago! Talvez o mais vago conceito de todos os tempos. O que é ser feliz? Que raio é que esta gente, meio gente, procura? Correm tanto, para chegar onde? À solidão.

Correm para chegar a um lugar, sozinhos e vazios.

Chegamos ao ponto, ao ponto alto da questão, queremos passar por cá e viver ou queremos passar por cá e achar que vivemos?

Digo-te eu, escritora não reconhecida, não paga, tonta do vinho e doida com a sociedade que me envolve. Eu quero viver! Quero e exijo viver sem dúvidas de merda, pessoas médias, pessoas mais ou menos, mentiras e ocultações.

E sim, eu vivo para isso. Sou estúpida? Estupidamente recta, inusitada e doida.


Certo.. não escrevo mais a tinto.