quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Pausa para a crónica - Dramática? Quem ? EU ??

Nem sei bem por onde começar, mas sinto-me quase na obrigação de escrever sobre mim. Várias pessoas que lêem os meus textos e poemas ficam preocupadíssimas comigo, outras acham só que eu tenho a pior vida do mundo e ainda há aquelas que acham que eu sou o drama em pessoa. Não é verdade, eu não tenho razão de queixa da minha vida! Obviamente que tenho problemas como qualquer um.

O poeta ou o escritor aproveita o drama, aproveita um bocadinho da realidade e eleva tudo ao cubo. Aproveita exemplos da rua, dos amigos, do gato e transforma em texto, em imaginação. Ou pelo menos eu transformo. Um escritor quer se queira ou não, dá opiniões, expõem-se, talvez dispa um pouco a sua vida, mas não tira nunca a roupa toda. Fernando Pessoa tinha muita razão quando escreveu que “o poeta é um fingidor”.

Eu também sei inventar, invento e exagero. Mas na realidade sou dramática todos os dias. É verdade! Existem pessoas muito descontraídas, sempre a tentar ver o lado positivo da coisa, e sempre, mas sempre de bem com a vida e com toda a gente, tanto que até irrita! Eu não faço parte desse grupo de abençoados.

Eu grito comigo própria todos os dias. Às vezes parece, que tenho 10 mulheres cá dentro, em vez de uma, e normalmente elas querem todas coisas diferentes. É raro fazer alguma coisa sem pensar em tudo, sou adepta do porquê e porque não, o que geralmente não dá em nada, porque após dias na agonia a pensar no assunto vou lá e esborracho-me igual!   

Quero tudo para ontem, sou de uma impaciência esgotante. Isso de dar tempo ao tempo é para meninos. A minha ansiedade não perdoa indecisões, nem mesmo as minhas.

Não sei falar e discutir, é com grande pena minha, que ou eu falo ou eu discuto. Por coisas banais, a maneira de transmitir as minhas ideias, é altamente perigosa. Parece um ataque, que coloca normalmente o outro em automático fora de jogo. Mas na realidade eu não quero fazer a mal a ninguém. Que isso fique claro.

Sou sensível a coisas miudinhas, faço birras às vezes, acho que choro pouco, comparado com a maioria das mulheres, e choro sempre sozinha. Choro muito a ver filmes (claro se tiver sozinha), é uma vergonha.  

Sou muito traquina é verdade, acho sempre que tenho razão e custa-me tanto dar o braço a torcer. Sou orgulhosa, mas aguento pouco tempo. Adoro ouvir conselhos, mas é raro segui-los.

Sou revoltada, é feio e eu não queria ser, mas sou. Revolta-me certas facilidades na vida de algumas pessoas e ainda andam com aquela cara deslavada, ah e tal eu sou mesmo bom, vês? E se fosses à merda?? Há pessoas que nasceram com o rabinho virado para a lua, e ainda por cima acham que isso é que é normal, e que nós somos uma cambada de atrasados que andamos aqui na luta diária, e nem percebem porquê, é verdade e eu detesto isso com todas as forças.

Assim como não suporto pessoas arrogantes, pessoas com a mania que são mais espertos que os outros, pessoas que se acham superiores, pessoas que acham que têm opinião para tudo, até mesmo para coisas que nunca viveram e nem fazem a mínima ideia do que é. Não suporto meninos que se acham as últimas coca-colas do deserto e que é tudo deles.

E acima de tudo não convivo com pessoas que invejam e falam da minha vida, mas nunca me perguntaram, quanto trabalho deu e quanto é que eu tive que lutar para ter e ser o que sou. Já lá vai o tempo de ter muitos “amigos”, e do célebre “ eu gosto de me dar bem com toda a gente”, não, não gosto. E se não gostar da pessoa, acreditem que ela vai notar.

Não gosto que me lixem, ninguém gosta! Mas não tenho a capacidade de perdão que sei que existe em algumas pessoas. Para certas coisas não há segundas oportunidades.

Sou violenta, sou vulcânica a maior parte das vezes. Não sou muito de afectos, nem sempre me apetece beijinhos. E por palavras faladas é muito raro dizer que gosto de alguém. Mas escrevo. E espero que algumas pessoas o sintam.

Sou insegura em grande parte. Em tudo o que toca as minhas capacidades para com os outros. Acho sempre que falta qualquer coisa. É terrível!

E depois disto tudo, até eu me pergunto e de bom não há nada?

Deve haver, mas isso já era tirar a roupa toda! :)