quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Pausa para a crónica - Ingenuidade

Tenho 25 anos, moro sozinha num sótão algures no meio de Lisboa, tenho uma vista privilegiada sobre esta cidade. Devia ter um gato, o Jaime, não tenho porque decidimos que a nossa relação é melhor de 15 em 15 dias, quando nos encontramos em casa dos meus pais.

O percurso até aqui não foi árduo, mas também não foi fácil. Envolveu capacidades que eu desconhecia que tinha, capacidade para lutar, para acreditar, para me empenhar com todas as forças, e envolveu muita aprendizagem, aprendi a gostar da solidão, a combater saudades, aprendi a ser totalmente dependente de mim.

Mas há coisas que nunca mudam, ou pelo menos até agora não mudaram, continuo a ser profundamente inocente em relação às verdadeiras razões que levam alguém, a aproximar-se de mim.

Nisso continuo a ser a miúda que come gelados na pastelaria Pic-Nic, a miúda de 16 anos que espera a Filipa do outro lado da estrada, para não sair sozinha de casa, a miúda que brinca com o irmão ou a miúda que sente que ao colo da Mãe nada lhe fará mal.

Hoje em dia, não deixo muita gente aproximar-se e mexer na minha vida, sou cautelosa, mas mesmo assim alguns daqueles que eu permito que entrem, só tem vindo a destruir o meu mundo.

É como se existe um campo de girassóis, que alguém desastroso e sem noção, se dedica a pisar, arrancar, estragar. As pessoas deviam ter mais cuidado umas com as outras.

Nós, não temos noção de que por vezes certas atitudes e palavras podem matar o campo de girassóis do outro. Podem causar um reboliço na vida de outra pessoa, sem a mínima necessidade.

As palavras que saem da nossa boca têm que ser muito pensadas. Não dá para dizer, eu estou aqui para te ajudar, e saltar fora ao primeiro obstáculo, não dá para dizer que gostamos de alguém, quando não o sentimos assim como não dá para dizer eu não gosto de ti assim, algumas pessoas não têm como mudar.

Há pessoas que se aproveitam das fragilidades dos outros para chegar aos seus fins e existem outras que criam ilusões para não contar verdades.

No final isto dá um problema gigante na vida daqueles que acreditaram. Dá feridas que nem sempre cicatrizam.
A verdade arde, mas passa. A ilusão dói e nem sempre se esquece.

Devíamos tentar ser mais verdadeiros uns com os outros, falar mais entre nós, sem dramas tornado a vida mais leve.

Eu nem sempre sou gentil, nem sempre pergunto a todos, como estão, não dou beijinhos e não ando sempre a dizer gosto muito de ti. Mas quem conta comigo, conta mesmo.

Para quem eu amo, eu nunca falho. Nunca minto só para ficar bonito, não iludo, não utilizo, não levo recado para casa e não abandono.

Se alguém algum dia me ouvir dizer, conta comigo porque eu estou contigo, saiam da frente, porque eu vou com ela até ao fim do mundo. Prejudico-me, meto-me, rebento-me mas nunca a deixo.

É importante cuidar das pessoas, ter cuidado para não lhes partir o coração.



E há tantas pessoas que nem sabem o que isto é…